quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Notícias que a Globo não Publica: Médicos Cubanos no Haiti Deixam o Mundo Envergonhado

MÉDICOS CUBANOS NO HAITI DEIXAM O MUNDO ENVERGONHADO

Pela Redação do Fazendo Média em 27.12.2010

Matéria escrita originalmente por Nina Lakhani no The Independent, e republicada na Carta Maior.

Eles são os verdadeiros heróis do desastre do terremoto no Haiti, a catástrofe humana na porta da América, a qual Barack Obama prometeu uma monumental missão humanitária dos EUA para aliviar. Esses heróis são da nação arquiinimiga dos Estados Unidos, Cuba, cujos médicos e enfermeiros deixaram os esforços dos EUA envergonhados.

Uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em todo o Haiti, rasgado por terremotos e infectado com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro, que ganhou muitos amigos para o Estado socialista, mas pouco reconhecimento internacional.

Observadores do terremoto no Haiti poderiam ser perdoados por pensar operações de agências de ajuda internacional e por os deixarem sozinhos na luta contra a devastação que matou 250.000 pessoas e deixou cerca de 1,5 milhões de desabrigados. De fato, trabalhadores da saúde cubanos estão no Haiti desde 1998, quando um forte terremoto atingiu o país. E em meio à fanfarra e publicidade em torno da chegada de ajuda dos EUA e do Reino Unido, centenas de médicos, enfermeiros e terapeutas cubanos chegaram discretamente. A maioria dos países foi embora em dois meses, novamente deixando os cubanos e os Médicos Sem Fronteiras como os principais prestadores de cuidados para a ilha caribenha.

Números divulgados na semana passada mostram que o pessoal médico cubano, trabalhando em 40 centros em todo o Haiti, tem tratado mais de 30.000 doentes de cólera desde outubro. Eles são o maior contingente estrangeiro, tratando cerca de 40% de todos os doentes de cólera. Outro grupo de médicos da brigada cubana Henry Reeve, uma equipe especializada em desastre e em emergência, chegou recentemente, deixando claro que o Haiti está se esforçando para lidar com a epidemia que já matou centenas de pessoas.

Desde 1998, Cuba treinou 550 médicos haitianos gratuitamente na Escola Latino-americana de Medicina em Cuba (Elam), um dos programas médicos mais radicais do país. Outros 400 estão sendo treinados na escola, que oferece ensino gratuito – incluindo livros gratuitos e um pouco de dinheiro para gastar – para qualquer pessoa suficientemente qualificada e que não pode pagar para estudar Medicina em seu próprio país.

John Kirk é um professor de Estudos Latino-Americanos na Universidade Dalhousie, no Canadá, que pesquisa equipes médicas internacionais de Cuba. Ele disse: “A contribuição de Cuba, como ocorre agora no Haiti, é o maior segredo do mundo. Eles são pouco mencionados, mesmo fazendo muito do trabalho pesado.”.

Esta tradição remonta a 1960, quando Cuba enviou um punhado de médicos para o Chile, atingido por um forte terremoto, seguido por uma equipe de 50 a Argélia em 1963. Isso foi apenas quatro anos depois da Revolução.

Os médicos itinerantes têm servido como uma arma extremamente útil da política externa e econômica do governo, ganhando amigos e favores em todo o globo. O programa mais conhecido é a “Operação Milagre”, que começou com os oftalmologistas tratando os portadores de catarata em aldeias pobres venezuelanos em troca de petróleo. Esta iniciativa tem restaurado a visão de 1,8 milhões de pessoas em 35 países, incluindo o de Mario Terán, o sargento boliviano que matou Che Guevara em 1967.

A Brigada Henry Reeve, rejeitada pelos norte americanos após o furacão Katrina, foi a primeira equipe a chegar ao Paquistão após o terremoto de 2005, e a última há sair seis meses depois.

A Constituição de Cuba estabelece a obrigação de ajudar os países em pior situação, quando possível, mas a solidariedade internacional não é a única razão, segundo o professor Kirk. “Isso permite que os médicos cubanos, que são terrivelmente mal pagos, possam ganhar dinheiro extra no estrangeiro e aprender mais sobre as doenças e condições que apenas estudaram. É também uma obsessão de Fidel e ele ganha votos na ONU.”

Um terço dos 75 mil médicos de Cuba, juntamente com 10.000 trabalhadores de saúde, estão atualmente trabalhando em 77 países pobres, incluindo El Salvador, Mali e Timor Leste. Isso ainda deixa um médico para cada 220 pessoas em casa, uma das mais altas taxas do mundo, em comparação com um para cada 370 na Inglaterra.

Onde quer que sejam convidados, os cubanos implementam o seu modelo de prevenção com foco global, visitando famílias em casa, com monitoração proativa de saúde materna e infantil. Isso produziu “resultados impressionantes” em partes de El Salvador, Honduras e Guatemala, e redução das taxas de mortalidade infantil e materna, redução de doenças infecciosas e deixando para trás uma melhor formação dos trabalhadores de saúde locais, de acordo com a pesquisa do professor Kirk.

A formação médica em Cuba dura seis anos – um ano mais do que no Reino Unido – após o qual todos trabalham após a graduação como um médico de família por três anos no mínimo. Trabalhando ao lado de uma enfermeira, o médico de família cuida de 150 a 200 famílias na comunidade em que vive.

Este modelo ajudou Cuba a alcançar alguns índices invejáveis de melhoria em saúde no mundo, apesar de gastar apenas $ 400 (£ 260) por pessoa no ano passado em comparação com $ 3.000 (£ 1.950) no Reino Unido e $ 7.500 (£ 4,900) nos EUA, de acordo com Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento.

Grã-Bretanha e menor do que os EUA. Apenas 5% dos bebês nascem com baixo peso ao nascer, um fator crucial para a saúde a longo prazo, e a mortalidade materna é a mais baixa da América Latina, mostram os números da Organização Mundial de Saúde.

As policlínicas de Cuba, abertas 24 horas por dia para emergências e cuidados especializados, é um degrau a partir do médico de família. Cada uma prevê 15.000 a 35.000 pacientes por meio de um grupo de consultores em tempo integral, assim como os médicos de visita, garantindo que a maioria dos cuidados médicos são prestados na comunidade.

Imti Choonara, um pediatra de Derby, lidera uma delegação de profissionais de saúde internacionais, em oficinas anuais na terceira maior cidade de Cuba, Camagüey. “A saúde em Cuba é fenomenal, e a chave é o médico de família, que é muito mais pró-ativo, e cujo foco é a prevenção. A ironia é que os cubanos vieram ao Reino Unido após a revolução para ver como o HNS [Serviço Nacional de Saúde] funcionava. Eles levaram de volta o que viram, refinaram e desenvolveram ainda mais, enquanto isso, estamos nos movendo em direção ao modelo dos EUA”, disse o professor Choonara.

A política, inevitavelmente, penetra muitos aspectos da saúde cubana. Todos os anos os hospitais produzem uma lista de medicamentos e equipamentos que têm sido incapazes de acesso por causa do embargo americano, o qual que muitas empresas dos EUA de negociar com Cuba, e convence outros países a seguir o exemplo. O relatório 2009/10 inclui medicamentos para o câncer infantil, HIV e artrite, alguns anestésicos, bem como produtos químicos necessários para o diagnóstico de infecções e órgãos da loja. Farmácias em Cuba são caracterizadas por longas filas e estantes com muitos vazios. Em parte, isso se deve ao fato de que eles estocam apenas marcas genéricas.

Antonio Fernandez, do Ministério da Saúde Pública, disse: “Nós fazemos 80% dos medicamentos que usamos. O resto nós importamos da China, da antiga União Soviética, da Europa – de quem vender para nós – mas isso é muito caro por causa das distâncias.”

Em geral, os cubanos são imensamente orgulhosos e apóiam a contribuição no Haiti e outros países pobres, encantados por conquistar mais espaço no cenário internacional. No entanto, algumas pessoas queixam-se da espera para ver o seu médico, pois muitos estão trabalhando no exterior. E, como todas as commodities em Cuba, os medicamentos estão disponíveis no mercado negro para aqueles dispostos a arriscar grandes multas se forem pegos comprando ou vendendo.

As viagens internacionais estão além do alcance da maioria dos cubanos, mas os médicos e enfermeiros qualificados estão entre os proibidos de deixar o país por cinco anos após a graduação, salvo como parte de uma equipe médica oficial.

Como todo mundo, os profissionais de saúde ganham salários miseráveis em torno de 20 dólares (£ 13) por mês. Assim, contrariamente às contas oficiais, a corrupção existe no sistema hospitalar, o que significa que alguns médicos e até hospitais, estão fora dos limites a menos que o paciente possa oferecer alguma coisa, talvez almoçar ou alguns pesos, para tratamento preferencial.

Empresas internacionais de Cuba na área da saúde estão se tornando cada vez mais estratégicas. No mês passado, funcionários mantiveram conversações com o Brasil sobre o desenvolvimento do sistema de saúde pública no Haiti, que o Brasil e a Venezuela concordaram em ajudar a financiar.

A formação médica é outro exemplo. Existem atualmente 8.281 alunos de mais de 30 países matriculados na Elam, que no mês passado comemorou o seu 11 º aniversário. O governo espera transmitir um senso de responsabilidade social para os alunos, na esperança de que eles vão trabalhar dentro de suas próprias comunidades pobres pelo menos cinco anos.

Damien Joel Soares, 27 anos, estudante de segundo ano de New Jersey, é um dos 171 estudantes norte-americanos; 47 já se formaram. Ele rejeita as alegações de que Elam é parte da máquina de propaganda cubana. “É claro que Che é um herói, mas aqui isso não é forçado garganta abaixo.”

Outros 49.000 alunos estão matriculados no “Novo Programa de Formação de Médicos Latino-americanos”, a ideia de Fidel Castro e Hugo Chávez, que prometeu em 2005 formar 100 mil médicos para o continente. O curso é muito mais prático, e os críticos questionam a qualidade da formação.

O professor Kirk discorda: “A abordagem high-tech para as necessidades de saúde em Londres e Toronto é irrelevante para milhões de pessoas no Terceiro Mundo que estão vivendo na pobreza. É fácil ficar de fora e criticar a qualidade, mas se você está vivendo em algum lugar sem médicos, ficaria feliz quando chegasse algum.”

Há nove milhões de haitianos que provavelmente concordariam.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

2010 - O Ano da Argentina

Não foi somente no cinema com 'O Segredo dos Seus Olhos' e no esporte com Messi e Conca que a Argentina deu um banho no Brasil neste ano de 2010. Na justiça (política) o saldo dos hermanos também foi positivo.

Nesta última semana a justiça argentina condenou o ex-presidente e ditador Jorge Rafael Videla de 84 anos a prisão perpétua (na cadeia mesmo e não em prisão domiciliar) por crime de lesa humanidade.

Videla comandou a ditadura entre os anos de 76 a 81 e defendeu-se argumentando de que se vivia uma guerra justa.

Não foi a única pena a criminosos da época dos governos militares. Um alto nome da ditadura portenha também teve pena semelhante, Luciano Menendez, ‘La Hiena’ que participou do governo militar entre 76 e 83. Na verdade foi sua quinta condenação à prisão perpétua.

Em 2010 também foram condenados ex-chefe da inteligência policial de Tucumán, Roberto Albornoz, “El tuerto”, prisão perpétua e os ex-policiais Luis e Carlos de Cándido que receberam 18 e 3 anos, respectivamente

Enquanto nossos hermanos fazem justiça nos ainda levamos a vida e a história na flauta. Argumentos de que não devemos ressuscitar fantasmas e que não podemos passar por cima da lei da anistia, nos impedem de fazer valer a humanidade sobre os crimes cometidos por ignóbeis governos, que promoveram sangrenta perseguição aos que ousaram levantar suas vozes contra o totalitarismo e jogaram o país em anos de atraso sob uma falsa ideia de segurança e de ausência de corrupção governamental.

Nos gabamos de um potencial produtivo digno das maiores potências mundiais e a perspectiva de um futuro desenvolvimentista mas sequer conseguimos acertas as contas com o nosso recente passado.

O PNDH - Programa Nacional de Direitos Humanos pretendia propor esse acerto, mas criticado duramente por parlamentares de direita e pela imprensa burguesa acabou destinado a revisões que muito provavelmente irão descaracterizar seu potencial progressista no atendimento aos anseios dos conservadores e golpistas de outrora.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal !!!

Um divertido Áudio ! Um Belo Vídeo !! E uma Mensagem (Velha), mas Bacana !!!






Então é Natal...

Mais um Natal se aproxima, tudo bem, sabemos que Jesus não nasceu no dia 25 de Dezembro, aliás é uma das poucas certezas que temos sobre seus primeiros anos de vida,mas aceitemos as convenções
de uma ótima estratégia de  um antigo rei.
 Na verdade pouco importa a data, o que há de belo e relevante é o que esta representa,
os sentimentos que ela revela.

Ou será que você nunca percebeu?! Tudo parece se harmonizar, se alegrar...A mais carrancuda das pessoas abre um sorriso, nem que seja de canto de boca, as almas ficam mais caridosas
(um prato cheio para as campanhas disso e daquilo), tudo isso num espaço de tempo relativamente curto que compreende o início das primeiras mensagens de televisão e terminam em menos de um mês, no almoço do dia 25.
 
Deve ser o tal espírito do Natal. Qual outra coisa poderia explicar que pessoas que nunca se viram cumprimentassem calorosamente, você brincar com aquele seu primo pentelho e abraçar seu tio chato, que teimam em invadir sua casa em datas como esta, ou quem sabe até os mais exaltados saírem com gorros vermelhos cantando aquelas músicas que aprendemos ouvindo os LP's da vovó,
que saem do armário para ressuscitar a velha e empoeirada vitrola do papai.
"Jingle Bells" e "Pinheirinhos" soam por toda a casa que há essa hora já cheira à rabanada.

Até o mercado, aquele ao qual erguemos nossos ódios socialistas, fica mais bonito (não quer dizer melhor). Vitrines enfeitadas, lusinhas, parcelas à perder de vista, lusinhas, neve em pleno Verão, e caso tenha esquecido: lusinhas.

Muito mais claro que as lusinhas (caso não tenha falado nelas) é a intenção disso tudo: derreter seu suado 13o ;
talvez seja este um dos motivos de ser (o Natal) em Dezembro. Impossível não ficar, às vezes, boquiabertos,
 com as decorações dos shoppings, e enquanto isso, o seu (o nosso) parco salário se esvai pelo bolso a fora.

Mas como diria o bisonho participante de um programa sensacionalista:"faz parte".
Até se vestir com uma grossa roupa verde, gorro, bota, luva, nos típicos 40o da época.
 Aposto que você estranhou o fato de eu ter citado a cor verde. Pois é, antes de 1933 esta era a cor predominante da vestimenta do bom velhinho, e se você tiver tempo e dinheiro o bastante pode ir até a Lapônia pra conferir,
lá o "pseudo-Santa Claus" da multinacional de refrigerante não faz o menor sucesso.

Voltando ao espírito de Natal, chega a ser emocionante ver, até para menos atuante dos cristãos, lembrar as palavras de um outro bom velhinho, este nascido na Polônia e que recentemente foi juntar-se ao Aniversariante.  
Palavras, de paz, harmonia, alegria, felicidade e amor.

E é justamente com o aproximar dos ponteiros do relógio do número 12, que todos aqueles sentimentos explicitados durante todo este texto se tornam mais fortes, intensos e num brinde em que desejo e espero se perpetuar ainda mais fortificados, por toda essa esfera a que chamamos de lar, em apenas duas sinceras palavras:
                                                           Feliz Natal

domingo, 19 de dezembro de 2010

Agradecimento


Gostaria de agradecer àqueles que reproduziram meu texto Violência e Manipulação da Mídia: Uma Guerra Carioca, sobre o 'embate' do texto contra o tráfico de drogas, em seus sites, blogs, etc. 

Também agradeço à Carta Capital que publicou o texto em sua versão on line, gerando mais de 50 comentários. No entanto ele foi retirado do ar, creio eu, devido aos erros de digitação (a pressa é triste). Agradeço também aos que comentaram, falando bem e mal do meu texto. O importante é colocar a discussão em pauta. 

Agradeço aos que twitaram meu texto. Foram cerca de 60 retwites. 

Também agradeço ao companheiro Felipe Deveza que encaminhou meu texto para a Universidade de Santiago de Compostela (Galiza, Espanha). 

Seguem os links dos sites que reproduziram meu texto.



http://blogln.ning.com/profiles/blogs/cartacapital-a-violencia-e-a?xg_source=activity


http://www.jornalaguaverde.co.cc/

http://www.politicadaparaiba.com.br/novo-geral/layout.php?subaction=showfull&id=1291076032&archive=&start_from=&ucat=47&

http://www.causes.com/causes/515587-boicote-globo

http://irolog.com.br/blog_base_%20%20A%20Viol%C3%AAncia%20e%20a%20Manipula%C3%A7%C3%A3o%20da%20M%C3%ADdia%20Uma%20%E2%80%98Guerra%E2%80%99%20Carioca.html

http://valnorhenriques.wordpress.com/2010/11/30/a-violencia-e-a-manipulacao-da-midia-uma-%E2%80%98guerra%E2%80%99-carioca-%C2%AB-cartacapital/

http://www.bancariosrio.org.br/noticias.php?id=10007

http://www.renajorp.net/repudio-ao-revide-violento-das-forcas-de-seguranca-publica-no-rio-de-janeiro-e-as-violacoes-aos-direitos-humanos-que-vem-sendo-cometidas/comment-page-1/#comment-541

http://www.alemdeeconomia.com.br/blog/?p=3323

http://sinesiopontes.wordpress.com/2010/11/30/reflexao-sobre-a-reconquista-do-rio/

http://identi.ca/notice/59457222

http://advivo.com.br/blog/luisnassif/traficantes-unicos-viloes-nos-combates-cariocas

http://muitasbocasnotrombone2.blogspot.com/




domingo, 28 de novembro de 2010

A Violência e a Manipulação da Mídia: Uma 'Guerra' Carioca.


Por Allan Mahet


Muito providencial um dos itens das 10 Estratégias de Manipulação através da mídia por Noam Chomsky, postado há pouco.
Criar problemas e depois oferecer soluções

Esse método também é denominado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

De modo algum pretendo aqui expor que as ações violentas dos últimos dias tratam-se apenas de ampla manipulação midiática. Elas são reais, graves e inaceitáveis, mas não podemos que os fatos ceguem nossa criticidade.

O problema reside nas falácias do discurso governamental e reproduzidas por toda a grande mídia, que são acatadas sem qualquer parcimônia pela população, bestificada diante dos carros e ônibus incendiados diariamente e maravilhada com o avanço de tanques e caveirões. População esta que a pouco pode conferir nos cinemas uma verdade sem muita maquiagem sobre a questão da violência no Rio.

A primeira mentira é a de querer nos fazer crer na total organização e coordenação das ações criminosas. Existem milhares de escutas telefônicas, algumas centenas de X-9 e profissionais infiltrados no tráfico que conseguiriam identificar tamanha mobilização. Se considerarmos essa possibilidade como viável, das duas uma: ou governo realmente mente ou nossa inteligência policial não é tão inteligente assim. E para mim, é inadmissível uma inteligência menos inteligente do que eu.

Posteriormente, em todo o discurso faz-se uma defesa da ideia de desarticulação do tráfico de drogas. MENTIRA !! Se fosse o Padre Quevedo iria falar: "é charlatanice, isso nos existe". É impossível acabar com o tráfico. Existindo consumidores existirá demanda, existindo demanda haverá venda. Havendo venda... é tráfico. Existindo o playboy do condomínio de luxo que faz passeata pela paz abraçando a Lagoa, o Leblon, o Cristo Redentor, que dá sua cheiradinha dominical, existirá tráfico.  Existindo o juiz que aprova o habeas corpus dos realmente grandes traficantes; existindo a polícia corrupta, arregada do tráfico; existindo a criminalização da pobreza; existindo a vista grossa de nossa 'polícia de fronteiras'; existindo o mega empresário que negocia com os narcotraficantes internacionais e existindo vossas excelências, políticos fichas podres, existirá o tráfico de drogas. Chega a serem indecentes as manchetes intitulando as ações à Vila Cruzeiro, como o Dia D da guerra ao tráfico (O Globo de 26/11/2010) e chamá-las de ataque decisivo. O tráfico, como dito, continuará existindo, invadindo a Vila Cruzeiro, o Alemão ou a Rocinha. Esta simplicidade que a mídia tenta nos empurrar é inverídica.

As emissoras de rádio e televisão durante toda essa semana perpetuaram o clima de medo reprisando imagens e mais imagens de ônibus e carros pegando fogo. Inundaram-nos com mapas, vídeos, fotos e infográficos detalhando cada movimento dos bandidos, apavorando-nos. Mesmo tendo dito que as ações não são uma farsa, paremos para refletir... as únicas mortes que ocorreram até agora foram provocadas por quem? A polícia. Então, será que o clima de pavor é tão justificável assim? Claro que não sou louco de falar que aqueles que moram próximos a essas áreas devem passear tranquilamente como se nada estivesse acontecendo ou que não devemos nos manter atentos nos coletivos ou carros. Mas acredito ser injustificável, por exemplo, moradores da Zona Sul demonstrarem pânico igual ao maior de moradores da Penha ou de algumas áreas da Zona Norte carioca. Nesta área nobre da cidade foram 'apenas' 2 incidentes sem vítimas dos cerca de 100 em todo o estado, ou seja, 2% do total. A mídia, contraditoriamente, dizia que devemos manter a calma, mas nos inflamava à esquizofrenia e à fobia.

Também me chamou muita atenção o fato de as ações policiais se concentrarem em favelas nas quais o Comando Vermelho tem o domínio, em detrimento às demais comandadas por outras facções ou pelas milícias com as quais (ambas) o poder público tem adotado certa permissividade nos últimos tempos. Será acaso as UPPs serem instaladas, em 90% dos casos, em regiões antes controladas por essa mesma facção?

A massificação e obsessividade pela violência acabam assim por nos contaminar e chega ao nível máximo quando, ao vivo, foram mostradas imagens de traficantes fugindo da Vila Cruzeiro em direção Alemão. O mais leve dos discursos que pude ouvir foi o de jogar várias bombas e exterminá-los. É obvio que no intimo de todos, essa é uma vontade latente. Anos e mais anos sofrendo e convivendo com tiroteios, arrastões, roubos e etc, esse seria um desejo mais que aceitável. Porém, chamo mais uma vez à racionalidade. O Estado não pode ser regido por emoção. Como em uma frase de Fraga em 'Tropa de Elite 2', não podemos permitir que o Estado seja tão ou mais violento quanto os que são considerados violentos. Para os bandidos não existe regra, mas para o Estado sim. A concordância com tal ato poderia nos custar caro mais tarde. Não é papo de 'direitos humanos', mas a aprovação de métodos semelhantes podem nos levar a perda de direitos, de nos 'cidadãos de bem', futuramente. Sob o signo do medo no Governo Bush, vários direitos individuais da população foram violados. Sob argumentos, muitas vezes fabricados, atropelaram preceitos básicos e conseguiram apoio quase irrestrito para bombardear um País que não possuía um artefato sequer de destruição em massa. Como em parte da citação de Noam, que iniciou este post, são em momentos assim que o povo acaba por demandar leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Mas nada me deixa mais estupefato do que o coro que em uníssono clama pela pena de morte sumária e ao vivo, mas que demonstra uma complacência franciscana com relação a políticos corruptos, latifundiários grileiros e empresários inescrupulosos. Uma verba desviada da saúde ou da previdência pode matar mais em um mês do que todos os bandidos do Rio de Janeiro em um ano. Um latifundiário condena a morte milhares de famílias assim como o empresário espolia outros milhares de cidadãos. Mas a estes impera um desejo de justiça legal. Cadeia aos corruptos que matam milhares ao dia e aos financiadores da violência e morte ao 'pé de chinelo' sem camisa que ateia fogo aos ônibus.

E mais uma vez recorrendo ao didático 'Tropa de Elite 2' cabe-nos a pergunta: porque caveirão não entra em condomínio de luxo? Por que 'policia' não dá tapa na cara de político? Por que as investidas são sempre em áreas pobres de favela? Por que existe favela? As respostas cabem a cada um de nós procurarmos.

Uma análise bem interessante proposta por minha esposa, a também assistente social, Cristiane Maciel Mahet, chega a ser mais instigante. Diante da popularidade do filme de José Padilha e a discussão que o mesmo trouxe é muito providencial tudo que está ocorrendo, justamente agora. E como em um passe de mágica toda a criticidade trazida pelo filme em relação à atuação do Estado e seus interesses escusos parecem diluídas a pó (sem trocadilhos) na aprovação e contemplação vinda desses mesmos espectadores à mobilização do poder estatal em suas ações de força. Os mesmos que no começo do mês compreendiam a lógica nefasta da violência, hoje aplaudem os soldados de preto, de azul e os camuflados com suas armas em punho marchando em nossas ruas. Parece meio teoria da conspiração, mas diante de nossa realidade fantástica, nada é tão impossível assim.

Queria eu estar errado e tudo que escrevi não passar de balela.

Queria eu que com a 'tomada' da Vila Cruzeiro e do Alemão, tudo se resolvesse.

Queria eu que as UPPs fossem realmente a presença de um estado de direito nas comunidades pobres.

Queria eu que o problema da violência se resolvesse em uma semana apenas.

Queria eu que a real intenção de toda essa zona fosse a nossa segurança e não a publicidade, os votos e a garantia do poder.

Mas tenho a convicção de que não é!



Para saber mais, recomendo: 

http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/40/textos/1275/

http://coletivodar.org/violencia-no-rio-a-farsa-e-a-geopolitica-do-crime_2681

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/cacada-na-favela-da-vila-cruzeiro

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/sakamoto-o-estado-pode-usar-metodos-de-criminosos.html

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/eduardo-guimaraes-a-cor-da-tragedia-no-rio.html



Charge de Latuff: 

















sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Noam Chomsky: As 10 estratégias de manipulação midiática


O professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachussetts, Noam Chomsky, elaborou uma lista das "10 Estratégias de Manipulação" através da mídia. 


O Site Vermelho publicou o texto abaixo, traduzido por Adital e encaminhado a mim pelo companheiro Wagner Castro. 

10 Estratégias de Manipulação
Por Noam Chomsky


A estratégia da distração. 

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

Criar problemas e depois oferecer soluções

Esse método também é denominado "problema-ração-solução". Cria-se um problema, uma "situação" previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

A estratégia da gradualidade 

Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

A estratégia de diferir

Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e desnecessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrificio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade 

A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais.

Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".

Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de aceeso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos...

Manter o público na ignorância e na mediocridade

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

Estimular o público a ser complacente com a mediocridade 
Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

Reforçar a autoculpabilidade 

Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!

Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem
No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência geraram uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

Fonte: Argenpress, reproduzido por Adital

domingo, 21 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é outro.




Caveirão 2 - O retorno.


Em minha crítica do filme 'O Segredo de Seus Olhos' escrevi que que o cinema argentino se consolidava entre público e críticas internacionais por ser mais maduro e não ficar restrito a caveirões e tiros e se propor a aprofundar-se.


Eis que a continuação do apenas bom (mas vazio) 'Tropa de Elite' apresenta uma perspectiva interessante ao cinema brasileiro e se não chega a alterar minha concepção sobre o cinema nacional, pelo menos me deixa bastante animado.


Enquanto o primeiro filme apela para as cenas de violência, desperdiça o potencial crítico da película em uma discussão muito rasa sobre o financiamento (real) do tráfico pela classe média e explora muito pouco o íntimo de cada personagem. Sua continuação aumenta a carga dramática, melhora as cenas de ação, aprofunda as relações humanas e propõe uma discussão política mais ampla e sustentável do que no primeiro. Neste segundo filme o diretor consegue transferir o problema da esfera da violência para o meio político.


No primeiro filme, Capitão Nascimento sobe a favela para limpar a sujeira que os playboizinhos fazem. Neste segundo ele se pergunta a quem realmente a seu trabalho favorece e a quais interesses ele está servindo. Essa dúvida não vai apenas pairar sobre a cabeça do personagem mas de todos (ou pelo menos assim deveria) que veem o filme.


A boa montagem favorece que o desenrolar do fatos se descortinem ao público de modo fácil e ágil não deixando a história ficar chata. Muito pelo contrário, o ritmo do filme se mantém tenso do inicio ao fim. O encadeamento dos acontecimentos e o modo como perpassam o lado pessoal do Capitão Nascimento seguram eficientemente a atenção do público. Um grande mérito da película é que através desta história consegue levar a compreensão dos espectadores todo o esquema que hoje desencadeia na divisão da cidade em áreas dominadas por tráfico e áreas dominadas por milícia e o quanto as últimas podem ser mais nefastas do que os primeiros.


O filme começa com um, ainda, Capitão Nascimento crendo que seu trabalho estaria minando o sistema e que diante da 'adversidade' de 'cair para cima' ao ser retirado do comando do BOPE e ser levado para a Secretaria de Estado de Segurança, poderia fazer muito mais em pró de seu plano, fortalecendo o Batalhão e o tornando, como dito no próprio filme, em uma máquina de guerra.


Aos poucos ele vai percebendo que as investidas contra os 'marginais' são na verdade parte de um plano em maior que envolve a garantia de votos pelo controle de regiões antes dominadas pelo tráfico e que agora serão entregues aos grupos armados conhecidos como milícia (que em seu início eram chamados de mineira).


Sua credulidade cai totalmente por terra quando dois fatos importantes atingem em cheio a sua vida e a partir dai ele trava uma batalha pessoal para "foder o sistema". E como 'missão dada é missão cumprida', Capitão Nascimento parte com tudo pra cima dos corruptos.


Apesar de no começo do filme o diretor exagerar em falar que o BOPE consegui desarticular o tráfico do Rio e que o nascimento das milícias se deve substancialmente ao trabalho do Batalhão, quase tudo no filme beira mais à realidade do que a ficção, diferente do que sugere a mensagem inicial do filme. São diversas as passagens em que a realidade do Rio é transmitida para a tela grande sem maquiagem alguma, como por exemplo quando um miliciano assassina uma pessoa sem nem abrir a porta do carro ou quando o BOPE mata quase todo o bando de traficantes do Tanque ou mesmo nos depoimentos que mudavam da noite para o dia sob pressão da milícia. 


Também não é ficção a vista grossa e apoio oferecido por governantes às milícias em troca de votos e publicidade sob uma suposta paz nessas comunidades. Esta aparente boa ação que as milícias vieram a realizar, é desfeita a todo momento nos quais são revelados as estratégias e ações criminosas promovidas pelo grupo criminoso. Outro momento em que a realidade anda lado a lado com a 'ficção' é mostrando a consequencia  da CPI da Milícias que protagonizou prisões de políticos, policiais e implicou em grande número de mortes de supostos envolvidos em todo o esquema. 


O termo máfia usado pelo personagem Fraga no filme cai como uma luva e assim como o similar europeu, o esquema aqui se rearticula e sobrevive sob as adversidades momentâneas, afinal o que interessa no final é dinheiro, poder e votos, e em entorno destes os mais diversos grupos sempre chegam a denominador comum. 


A primorosa sequencia final do filme é um soco no estômago da classe média, dos playboys e da burguesia, que no primeiro filme aplaudiam quando os caveiras usavam 'o saco' nos marginais das favelas. As palavras de Capitão Nascimento soam como uma estrofe de uma música de Renato Russo onde destila verdades insólitas e uma quase desesperança de que algo possa dar certo nesse pedaço de terra que chamamos de lar. Também merece destaque a cena em que Nascimento 'desce' a porrada em um político corrupto.  Depois dela ficamos com uma agradável sensação de alma lavada. Quantos não queriam estar no lugar do Capitão e a fila de políticos seria grande.


Alguns me perguntam o porque do filme não ter dado nenhum problema até agora, pelas inúmeras verdades que filme joga no ar? Eu respondo que primeiro porque a classe política não tem medo da nossa população, pois sabe que o poder de articulação e de congregação entorno de interesses comuns é mínimo. Mérito de nosso sistema capitalista que dignifica a busca individual pelo sucesso em detrimento ao bem público, geral, coletivo. Segundo porque as pessoas que tem o poder de mudar alguma coisa, cujo poder de barganha política é realmente substanciai, se não está envolvida neste esquema, sai do cinema e vai tomar um chop na esquina e retorna ao seu mundo de condomínios fechados, colégios particulares, academias e de TV a cabo (a de verdade) e não a 'gatonet' do filme.  


É... não é apenas o sistema que é foda. As pessoas também o são.










Ficha Técnica
Direção: José Padilha
Roteiro: José Padilha e Bráulio Mantovani
Argumento: José Padilha, Bráulio Mantovani e Rodrigo Pimentel
Produção: José Padilha e Marcos Prado
Produção Executiva: James D'Arcy e Leonardo Edde
Direção de Fotografia e Câmera: Lula Carvalho
Direção de Arte: Tiago Marques Teixeira
Figurino: Claudia Kopke
Maquiagem: Martin Macías Trujillo
Efeitos Especiais: Bruno Van Zeebroeck, Keith Woulard, Rene Diamante e William Boggs
Som direto: Leandro Lima
Montagem: Daniel Rezende
Edição de som: Alessandro Laroca
Mixagem: Armando Torres Jr.
Trilha sonora: Pedro Bromfman
Site Oficial: tropa2.com.br

Elenco
Wagner Moura - Nascimento
Irandhir Santos - Fraga
André Ramiro - Mathias
Pedro Van Held - Rafael
Maria Ribeiro - Rosane
Sandro Rocha - Russo
Milhem Cortaz - Fábio
Tainá Müller - Clara
Seu Jorge - Beirada
André Mattos - Fortunato
Fabrício Boliveira - Marreco
Emílio Orcillo Netto - Valmir
Jovem Cerebral - Braço

Bruno D´Elia - Azevedo


Nota: 9,5

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Blu-ray: A Mídia Azul da Alta Definição

Não faz tanto tempo assim que precisávamos rebobinar as fitas antes de devolve-las às locadoras. Nos preocupávamos com quantas cabeças tinha o nosso vídeo cassete e se elas eram auto limpantes. Com a chegada do DVD em 1997 estes e outros 'problemas' foram resolvidos. Rapidamente aceita pelos consumidores, face principalmente, ao valor decrescente de seu player, o DVD ocupou o espaço do VHS com muito mais definição de imagem e som em um disco com grande capacidade de armazenamento, durabilidade e ocupando menos espaço.

Contudo o reinado do DVD está caindo e quem está tomando o seu lugar é um outro disquinho com praticamente o mesmo tamanho mas com mais de 6 vezes mais capacidade de armazenamento, o Blu-ray Disc com espaço para até 50Gb (DVD de dupla camada tem pouco mais de 8Gb). Com todo esse espaço o Blu-ray pode suportar imagens e sons superiores aos do DVD e esta diferença é claramente perceptível para todos e não apenas para técnicos. Os DVDs de hoje reproduzem imagens com 720 X 480 pixels (pontos de luz). O Blu-ray pode exibir imagens com resolução de 1920 X 1080 pixels, em widescreen. O som é outra área bem explorada, podendo suportar até oito canais de audio sem compressão (7.1). Para facilitar a comparação: O DVD é como você estivesse a frente de uma TV analógica com uma antena convencional e o Blu-ray é como vocês estivesse vendo uma imagem em HD por um sinal de TV digital em uma TV de LCD, Led* ou Plasma. Além disso o novo disco proporciona muito maior possibilidade de interatividade pelo BD-Live, sistema que possibilita acessar conteúdos exclusivos através do player conectado à internet. Também é possível  comportar mais extras. Uma coisa importante que deve ser lembrada é que para desfrutar de toda a alta definição do Blu-ray é necessário uma TV à altura, ou seja, Full HD, uma que as TVs normais (de tubo) exibem um máximo de 480 pixels verticais. As TVs HD exibem imagens em 720 x 480.





Hoje, para desfrutar de tudo essa inovação, ainda tem de ser desembolsado uma grande quantia de dinheiro, pois as TVs Full HD, apesar de baixarem de preços constantemente, não saem por menos de R$ 1.700,00 (32") e os players de entrada** estão por volta de R$500,00. A mídia também tem um preço salgado: entre R$30,00 à R$80,00, mas sua locação já gira em torno de R$6 à R$8. Mas não custa lembrar de a pouco mais de um ano atrás o player mais barato estava em R$999,00 e hoje encontramos grande variedade de ótimos aparelhos por R$500,00 à R$600,00. Só para termos uma ideia em relação aos valores: um certo player da Samsung custava em 2006 a bagatela de R$4.422, hoje o 'neto' deste aparelho, com muito mais recursos pode ser encontrado por R$580 e até menos de R$500,00 em alguns sites. Obviamente este é um entrave à popularização do Blu-ray em terras tupiniquins, porém se levarmos em consideração que a previsão de que este formato dure mais tempo que DVD (segundo especialistas cerca de 15 anos) é bem provável que 'devedetecas' mudem seus nomes para 'bedetecas'.

Como todo nova mídia, com exceção do DVD, o Blu-ray não possuiu uma unanimidade do mercado. Até o final de 2008 um outro formato disputava as atenções e brigava para ser o escolhido do publica e das industrias fonográficas e de cinema, era o HD-DVD, cuja premissa era bem parecida com a do Blu-ray, porém necessitava de três camadas para gerar 45Gb, enquanto o outro de apenas duas para ter 50Gb de espaço. Assim como o Blu-ray o HD-DVD utilizava um laser azul-violeta para ler informação dos discos enquanto que o DVD utiliza um laser vermelho de 650nm.(O Blu-Ray usa um laser Azul-violeta de 405 nm, o HD DVD de 400).

O HD-DVD foi desenvolvido pela Toshiba e promovido pela NEC, Sanyo, Microsoft (que não chegou a incluir o HD-DVD em seu console, X-Box), HP, Intel, além da Universal Studios.

O Blu-ray foi desenvolvido pela Sony e Panasonic e contou com o apoio exclusivo da Warner Bros., MGM, Fox, Paramount, Dreamworks e Columbia Pictures. Com o apoio desses seis estúdios conseguiu se sobrepor a força da Microsoft, fazendo com que a Toshiba desistisse de 'guerra' em dezembro de 2008. 



O nome Blu-ray se deve a cor azul do raio laser informado acima. A letra "e" da palavra original "blue" foi eliminada porque, em alguns países, não se pode registrar, para um nome comercial, uma palavra comum. 

Prevista para o final do ano, minha experiência com a alta definição do Blu-ray, foi adiantada, e conto a dois meses com um player em casa e minha opinião se traduz em uma só palavra: SENSACIONAL!

Abaixo, exponho uma linha do tempo em que podemos ver todo o percurso que foi feito até chegarmos aos disquinhos azuis. 

Nos anos 50 e 60: 
São realizadas as primeiras experiências em em gravação de fitas magnéticas de duas polegadas ou quadruplex.



Nos anos 70:
É lançado pela Sony o U-Matic, fitas cassete de 1 ou 2 polegadas. 


Para o consumidor domestico a Sony lança o Betamax com qualidade superior ao U-Matic e com apenas 0,5 polegada.
 




Ainda nos anos 70 é lancado pela JVC e Panasonic o VHS que possuía qualidade inferior ao Betamax, porém com preço melhor o que o faz ganhar a batalha pelo consumidor doméstico. A beta ficou como padrão para as produtoras. 



Nos final dos anos 70 é lançado o, pouco conhecido no Brasil, Laser Disc, conhecido inicialmente como Videodisk. Do tamanho de uma LP mas com jeitão de DVD, qie só seria lancado muitos anos depois. O discão, produzido pela MCA, competiu no mercado estrangeiro com o VHS, mas apesar de melhor qualidade (oferecia 420 linhas de definição enquanto o VHS apenas 250) a falta de portabilidade e o espaço de armazenamento modesto (apenas 1 hora de filme em cada lado) não o fizeram cair muito no gosto do grande publico, a não ser os japoneses que lançavam reprodutores de LD até 2009. 

 O fim do padrão LD aconteceu no final dos anos 90 por dois motivos principais: suas grandes desvantagens em relação aos outros formatos e à chegada do DVD, em 1996. No ano 2000, as últimas produtoras que ainda lançavam filmes em LD pararam de vez, marcando o declínio final do formato. 

 

Eu particularmente só vi um laserlisc em meados (ou final) da década de 90, quando este tentou se inserir no mercado nacional.

Nos anos 80: 
A Philips lança o primeiro tocador de CD, desenvolvendo a tecnologia de reprodução à laser.Está aberto o caminho para o DVD e Blu-ray. 


Também é nessa década que chegam ao mercado nacional os primeiros videos-cassetes. 

Nos anos 90: 

O desenvolvimento de imagem em CD por consórcios de Japão e EUA chegam ao DVD, tendo a Warner lançado seu primeiro filme no formato em 1997, contudo o crédito por esse feito é atribuído à Flashstar que lançou 'Era uma vez na América' em 1998. 

Desta vez o formato é adotada sem batalhas entre empresas e o DVD se populariza rapidamente pelo mundo  e com uma aceitação um pouco mais demorada pelo Brasil, devido aos altos valores iniciais do player no mercado nacional. 
Nos anos 2000:
Logo no início da década é decretado fim do Lasedisk e o surgimento de um outro formato, também bem desconhecido, que é a fita D-VHS. Com uma resolução maior do que as dos DVD da época 720p e 1080i e áudio em 6 canais (5.1) permitiu a gravação de programação em alta definição que já começavam nos países desenvolvidos. Assim como os players de Blu-ray atualmente com relação aos DVD, os aparelhos de D-VHS permitiam a reprodução de fitas normais de VHS. Com essas qualidades o formato chegou a ser tido como sucessor do DVD mas o fato de ter de retornar ao ato de rebobinar a fita e o nome VHS pesaram na popularidade da mídia. 
Com o avanço nas pesquisas para a produção do Blu-ray e do HD-DVd o formato acabou por ser extinto em 2004 com o lançamento de 'Eu, Robô'. 



Em 2003 a locação de DVD passa, pela primeira vez, a de VHS. Também neste ano são apresentadas as primeiras versões de Blu-ray e HD-DVD. 

Em 2006 o filme 'Marcas da Violência' é o ultimo a ser lançado em VHS. Neste ano começa a batalha entre Blu-ray e HD-DVD com o lançamento de seus players no mercado. 

Em 2008 vitória da Sony, dando o troco do Betamax. 



Em 2010 ocorre a introdução do 3D no Blu-ray. 



E o futuro?

Apesar da vida longa do Blu-ray ser praticamente certa, já foi desenvolvido o substituto do disco azul. Trata-se do Disco Holográfico (HVD) com capacidade para 500Gb. No entanto seu alto custo o inviabiliza comercialmente, ainda. Uma mídia virgem custa cerca de US$ 180,00 enquanto o player não sairia por menos de US$18.000,00. 

 

Fontes: Revista Blu-ray News, Revista Info e Revista Video & Som
Fotos: 
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