sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Os 10 Piores Sambas Enredo de Todos os Tempos

Se podemos contar com obras primas de sambas enredo como os citados em 'Os 50 maiores sambas-enredo de todos os tempos', também lamentamos verdadeiras bombas em forma de música. Aqui eu selecionei 10 letras que deveriam ser esquecidas no fundo mais obscuro da memória carnavalesca.

1º. Caprichosos 1988
2º. Mocidade 1988
3º. Império da Tijuca 1984
4º. Mangueira 1989
5º. Beija Flor 1975
6º. Unidos da Tijuca 1986
7º.Tradição 2003
8º. Império Serrano 1999
9º. Portela 2000
10º.Imperatriz Leopoldinense 1999



1º. Caprichosos 1988

Parece que foi escrito por várias pessoas que não se conheciam, pois nada combina. A melodia é ruim, a letra é fraca e nada rima.  As piores partes são: "Descobrindo este universo / Tintim por tintim"  e "Com sutileza / O desenho animado surgiu / Tem comédia, tem piada / Musical com batucada".

Luz, Câmera, Ação

Amor, ai amor
O vento levou
Por toda parte
As maravilhas
Da sétima arte
Lá vou eu, lá vou eu
Curtindo os bastidores
Descobrindo este universo
Tintim por tintim
Ô iaiá, seu vagalume, por favor
Quero um cantinho
Escondidinho pra ficar com meu amor
Filme proibido pra menor, xi!
Só pornografia
O cangaço
Abriu espaço pro cinema do Brasil
Oh quanta saudade
Do romantismo na tela
Com sutileza
O desenho animado surgiu
Tem comédia, tem piada
Musical com batucada
E no velho Oeste eu vi
O Nordeste em ação
Ai, coração
Vejam só
Toda a filmagem reunida
Câmeras na festa colorida
Ação, luz e cor, ô ô ô







2º. Mocidade 1988

As únicas partes que prestam nessa letra são os 4 primeiros versos. O restante é ruim de doer. Tirando o fato de cantar um progresso que só a Mocidade enxergou, o samba por si só é muito pobre. A segunda parte é nada mais nada menos do que algumas referências, uma após a outra sem encadeamento melódico. Péssimo de ouvir. Imagina o sofrimento de escutá-lo por mais de uma hora seguida?! 

Beijim, Beijim, Bye Bye Brasil

E canta Mocidade
A constituinte Independente
Dividiu a nação naufragada
Em sete "brasiléias" encantadas
O progresso despontou
E o cruzeiro se valorizou


E hoje nem saudades

Daquele Brasil devedor (que ficou)

Tchau cruzado, inflação
Violência, marajás, corrupção
Adeus à dengue, hiena, leão


A era nuclear
Usina, rio, mar
Itapuã, Iracema
Iguarias de Itamaracá
E bate-bate de maracujá
Paulo Afonso, Juazeiro
Padre Cícero, Petrolina que reluz
Pedras preciosas, mulatas, gol "gay"
Vinho enlatado e o gado revoltado
O chimarrão, como exportei
O ouro de serra pelada
O PI como gritava, rock outra vez
Divinamente, o salvador surgiu
Dando um toque diferente:
Alô, bye, bye Brasil

Bye Bye Brasil
Beijim, Beijim









3. Império da Tijuca 1984

Colocar número no meio do samba é uma encrenca. Quase sempre não rima com nada e fica melodicamente estranho. Como se não bastasse, o samba da Império da Tijuca vai piorando a cada verso com destaque para: "É proibido jogar, jogar / Jogos de azar / Dada a ordem nua e crua / Quantos desempregados no olho da rua".  

9215

Em nome da moral e bons costumes
Esta lei surgiu
Nove mil duzentos e quinze
Fechando os cassinos no Brasil
É proibido jogar, jogar
Jogos de azar
Dada a ordem nua e crua
Quantos desempregados no olho da rua
Mas a jogatina continua

Corrida de cavalo
Pode apostar
Loto e loterias
Existem em todo lugar
O palpite é borboleta
No bicho eu vou jogar

Hoje a minha escola tão querida
Reabre os cassinos na avenida
Um mundo de requinte e alegria
Mostrando todos os jogos
Nesta noite de euforia
O maior show da terra é o Carnaval
Num jogo de fantasias

A roleta da vida
Não pára de girar (bis)
No jogo do amor
Não me canso de apostar







4º. Mangueira 1989

Após grandes desfiles na década de 80 com três títulos, grandes sambas em 1984, 1985, 1986 e 1988, a Estação Primeira escolhe um enredo controverso em homenagem a Chico Recarey, Walter Pinto e Carlos Machado, os tendo como reis da noite do Rio. Sem apoio popular e da crítica, mas com certa mídia, a verde e rosa já chegou derrotada na avenida e a única coisa que a salvou foi a empolgação de seus componentes. Até vaiada foi e amargou um 11º lugar, sua segunda pior colocação na história (a pior é um 12º lugar em 1991 com "As Três Rendeiras do Universo"). O samba é terrível com especial atenção para o refrão: "Vai na roleta ou no bacará, vamos jogar ioiô, vamos jogar iaiá" e para a paradinha "Re-Ca-Rey".

Trinta de Reis

Lá do alto Mangueira anuncia
Trinca de reis 

Que ao Rio trouxe alegria
Valter Pinto, seu teatro de revista
Revolucionou e revelou grandes artistas
Lindas peças com cenografia sem igual
Carlos Machado fez teatro musical


Vai na roleta ou no bacará, vamos jogar ioiô, vamos jogar iaiá
Vai na roleta ou no bacará, vamos jogar ioiô, vamos jogar iaiá


Que saudade ô, do cassino da Urca
Da orquestra " Rio Night and Day "
Grandes noites eu passei
Mas hoje tem o Chico Recarey, Re..ca..rey
Que o Rio apresenta das noites o mais novo rei


Vou no Scala, vou no show do Asa Branca
Nesse Rio que eu amo, a noite é uma criança.






5º. Beija Flor 1975

Se a Portela aliviou a imagem de Getúlio, a Beija Flor conseguiu fazer pior. Em 1969, em pleno AI 5, a Império Serrano levou para a avenida um samba que foi até alvo de censura por parte do governo ("Heróis da Liberdade"). Em 1972 a Vila Isabel levou o belíssimo "Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade" no qual cantava: "Aprendeu-se a liberdade (...) / Facas, fuzis e canhões / Brasileiros irmanados / Sem senhores, sem senzala"). Sambas que contestavam a Ditadura Civil-Militar que vivíamos no país. Mas a nilopolitana fez o oposto, enaltecendo o regime milico, numa ode ao apregoado desenvolvimento e renegando completamente qualquer traço da repressão existente. Um ano antes o escola já havia mostrado sua faceta peculiar ao cantar: "Quem viver verá / Nossa terra diferente / A ordem do progresso / Empurra o Brasil pra frente" ("Brasil Ano 2000"). Não é preciso grande análise para saber que a agremiação não contou muito com a simpatia no mundo do Carnaval. PIS, PASEP e FUNRURAL não dá samba.  


Grande decênio

É de novo carnaval
Para o samba este é o maior prêmio
E o Beija-Flor vem exaltar
Com galhardia o grande decênio
Do nosso Brasil que segue avante
Pelo Céu, mar e terra


Nas asas do progresso constante
Onde tanta riqueza se encerra


Lembrando PIS e PASEP
E também o FUNRURAL
Que ampara o homem do campo
Com segurança total


O comércio e a indústria
Fortalecem nosso capital
Que no setor da economia
Alcançou projeção mundial


(E lembraremos)


Lembraremos também
O MOBRAL, sua função
Que para tantos brasileiros
Abriu as portas da educação


(É de novo...)






6. Unidos da Tijuca 1986

Samba machista e preconceituoso. O enredo poderia ter rendido algo bem humorado, mas acabou ficando apenas no mau gosto.

Cama, Mesa e Banho de Gato

O homem orgulhoso como quê
Não se sente feliz com a sua matriz (não, não, não)
Montou uma filial
Mostra os pecados capitais no carnaval (eu falei no carnaval)
A hora é essa e vamos admitir (admitir)
Uma só mulher é pouco
Deixa o homem no sufoco
Com tantas que andam por aí
O arroz com feijão
Lá de casa é bom
Mas o cozido da vizinha é melhor (é melhor)
Dizem que eu sou machista
Com pinta de egoísta
Polígamo conquistador
Mas isso vem do tempo do vovô
Lá vai o trouxa
Crente que está numa boa
Mas não sabe que a patroa
Está com o Ricardão
E sua filha tem fama de sapatão

Tem piranha no almoço
Tem virado no jantar
Pra quem tem fome
Qualquer prato é caviar

Vida, palco desses acontecimentos
Desfilando pelo tempo
Hoje eu quero me banhar
No prazer mais prolongado
Que o banho de gato dá

(Vem meu povo cantar)

Gingam cabrochas e ritmistas
Passistas e vigaristas
Artistas de revista e TV
Que não se importam
Com o que vocês vão dizer

Bota o prato na mesa
Tudo que vier eu traço
Prepare a cama
Que hoje tem banho da gato








7º. Tradição 2003

No embalo do Brasil Penta Campeão em 2002 a Tradição resolveu homenagear Ronaldo Fenômeno. Apesar do seu bom futebol é de convir que para ser enredo é necessário algo além disso. O que se viu na avenida foi um desfile fraco com um samba piegas. "Quando Deus criou a Terra, nos deu a luz do Sol / Também fez nosso Brasil, o país do futebol (...) A alegria da nação, ai que paixão / E no solo mexicano, depois no americano / Foi aquela emoção, pro meu povão".

O Brasil É Penta, R É 9 - O Fenômeno Iluminado

É fantástico, ser brasileiro,
Com muito orgulho, muita paz e muito amor, ô ô ô
E o globo vai girando, a gente fazendo história
E vitórias conquistando
Quando Deus criou a Terra, nos deu a luz do Sol
Também fez nosso Brasil, o país do futebol
Começou lá na Suécia, a segunda vez no Chile
A alegria da nação, ai que paixão
E no solo mexicano, depois no americano
Foi aquela emoção, pro meu povão
Se formou uma família, uma grande seleção
Foi aquele show de bola, na Coréia e no Japão

Ai ai ai, oh! Vida me leva
Ai ai ai, deixa a vida me levar (bis)
Ai ai ai, eu tô nessa festa
Eu quero mais é festejar

O Ronaldo iluminado, dono da camisa 9
Nasceu em Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro
Um menino inspirado, pelo mundo consagrado
O fenômeno brasileiro...
Da bola que era um brinquedo
Dadado fez seu reinado
Destino não tem segredo
Já veio nele traçado
Um guerreiro abençoado, nos campos que jogou
Ninguém pode duvidar, ele tem cheiro de gol

É bola na rede
A nossa Tradição (bis)
É bola na rede
É penta campeão







8º. Império Serrano 1999

Outro samba com número na letra. Depois do bom samba de 1996 com "E verás que um filho teu não foge à luta", que lhe rendeu a melhor posição no grupo especial desde então (6º lugar), a verde e branco de Madureira emplacou grandes bombas. Em 1997 com "O mundo dos sonhos de Beto Carrero" e em 1999 com "Uma Rua Chamada Brasil" que a levaram, em ambos os casos ao grupo de acesso. Os dois são péssimos, mas fiquei com pena da Império e como esse samba puxa um saco danado dos EUA acabei por selecioná-lo. 

Uma Rua Chamada Brasil

Em busca de um novo Eldorado viajei
Pro melhor lugar do mundo
Fui tentar a minha sorte na 46,
E ao chegar
Encontrei aventureiros
Gente deste mundo inteiro
Na terra do Tio Sam
Vi o jeito brasileiro
Na grande maçã
Há esperança de um novo amanhã

Bate forte coração eu sei
É difícil ser um rei
Longe da terra natal
Mas eu não perdi a fé, lutei
Pra curar a solidão
Eu rezei na catedral (bis)

Fui chamado afro-brasileiro
Pra ganhar algum dinheiro
Fui muambeiro, engraxate, fui garçom
Me encantei com os diamantes
O teatro é pura emoção
Foi tão bom

Nessa cidade vi amor, fraternidade
Mas a saudade fez meu peito balançar

Mãe baiana
Foi sua carta que me fez voltar (bis)

Lá vou eu de verde e branco, feliz
A serrinha é meu encanto, meu país
Parabéns Carmem Miranda que conseguiu
Mesmo distante não deixar de ser Brasil (bis)






9º. Portela 2000

Pensava que a Portela se livraria desta listagem, mas eis que me lembro dessa pérola. A agremiação deveria pedir desculpas por tal crime ao mundo do samba e à história. "Aclamado pelo povo, o Estado Novo / Getúlio Vargas anunciou " (?). "A despeito da censura / Não existe mal sem cura" (??). Fechando a letra, um fraquíssimo refrão que não faz jus à sua história.   


Trabalhadores do Brasil - A Época de Getúlio Vargas 


O raiar de um novo dia
Desafia meu pensar
Voltando à época de ouro
Vejo a luz de um tesouro
A Portela despontar (lálalaiá) 
Aclamado pelo povo, o Estado Novo
Getúlio Vargas anunciou
A despeito da censura
Não existe mal sem cura 
Viva o trabalhador ôôô
Nossa indústria cresceu (e lá vou eu...)
Jorrou petróleo a valer...
No carnaval de Orfeu
Cassinos e MPB
O Rei da Noite, o teatro, a fantasia
No rádio as rainhas, a baiana de além-mar
Tantas vedetes, cadilacs, brilhantina
Em outro palco o movimento popular
E no Palácio das Águias
Ecoou um grito a mais
Vai à luta meu Brasil
Pela soberana paz
Quem foi amado e odiado na memória
Saiu da vida para entrar na história 

Meu Brasil-menino
Foi pintado em aquarela
Fez do meu destino
O destino da Portela
(O raiar...)





10º. Imperatriz Leopoldinense 1999

Um enredo com título em latim, "Theatrum rerum naturalium Brasilae". Uma escola excessivamente técnica e sem emoção. Um samba pesado, quase arrastando. E por incrível que pareça, o primeiro de título de um tricampeonato contestadíssimo. O começo desse samba me irrita profundamente, é cansativo e repetitivo. Em certo momento ele fala 3 vezes a palavra Brasil: "Quero te ver, Brasil / Brasil / Ó meu Brasil". Muito chato!

"Theatrum rerum naturalium Brasilae"

Ela, a Imperatriz na passarela
É samba, é arte, é linda tela
Vem colorindo o carnaval
Sonhava Nassau
Com uma Holanda tropical (Nassau)
E nesse sonho ele então pediu
Quero te ver, Brasil (Quero te ver, Brasil)

Brasil, mostra a sua cara
Sua beleza em forma rara (bis)
Esse seu jeito de viver (Quero te ver, Brasil)

Artistas pintando flores, florestas
Retratam paisagens em festa... E animais
Homens felizes vivendo nas matas
Imagens do meu país
As obras são imortais
O tempo não apagou
E a mão do destino traz
Envolvidas em jóias musicais
Nobreza, beleza
Tem arte nesse teu cantar
Quem ouve logo diz
Meu sonho é ser feliz
Pra sempre e sempre mais

O samba é raiz
Se raiz é história (bis)
Bate forte bateria
No balanço e na alegria
Da Imperatriz





sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sambas Enredo Grupo Especial Carnaval 2015




Após comentar os sambas do Grupo de Acesso, chegou a vez da elite do samba. Sou do tempo em que após o lançamento do CD dos Sambas Enredo, os mesmos começavam a tocar em várias rádios e o BANERJ distribuía as letras dos sambas impressos em ventarolas. Isso já não existe, porém temos a internet, e aqui vocês poderão conferir as letras e músicas que irão invadir a Sapucaí no Domingo e Segunda mais aguardados de Fevereiro. 

Neste ano de 2015 temos uma safra mediana, talvez menos impactante do que a do Grupo de Acesso em termos de qualidade. Na Série B do samba contamos com cerca 7 hinos entre bons, ótimos e excelentes: Cubango, Império da Tijuca, Renascer de Jacarepaguá, Unidos de Padre Miguel, Bangu, Império Serrano e Estácio de Sá. Entre as escolas do grupo principal temos 6 sambas nestas categorias, porém em qualidade inferior. 

O destaque é a Unidos do Viradouro que não promoveu disputa de sambas. Com o enredo “Nas veias do Brasil, é a Viradouro em um dia de graça!” a escola optou por fazer uma adaptação de duas letras de Luís Carlos da Vila, realizada pelo também compositor e presidente da escola Carlos Gustavo Coutinho (Clarão). Luiz Carlos Baptista, conhecido como Luiz Carlos da Vila, foi um compositor e sambista, conhecido por sua passagem pela ala de compositores da Vila Isabel, sendo um dos compositores do samba-enredo "Kizomba", a festa da raça, que consagrou a escola em 1988. Morreu em 2008 aos 59 anos. À parte da polêmica que a envolve, a letra é belíssima. 

Outro ponto que chama a atenção é a ausência de Quinho no microfone do Salgueiro depois de 23 anos, demitido em Maio, após tentar colocar uma chapa para concorrer às eleições presidenciais da agremiação, mas não conseguiu por apresentar irregularidades no processo de candidatura. 

O mundo do samba também nutre expectativa sobre a ida de Paulo Barros para Mocidade. A escola de Padre Miguel, que anda no limbo do carnaval a algum tempo, levará para a avenida o fim do mundo, tema que parece como uma luva para seu novo carnavalesco, mas que foi ingrato com os compositores.

Após escutar os 12 sambas os classifiquei, assim como os do grupo de acesso, em 6 categorias:

Excelentes: Viradouro - Beija Flor.

Ótimos: Imperatriz - Vila Isabel - Portela.

Bom: Mangueira.

Regular: São Clemente - Salgueiro.

Ruim: Mocidade.

Péssimos: Grande Rio - União da Ilha - Unidos da Tijuca.

A ordem dos desfiles neste ano é a seguinte: 

Domingo, 15 de Fevereiro
Viradouro – Mangueira – Mocidade – Vila Isabel – Salgueiro – Grande Rio

Segunda, 16 de Fevereiro
São Clemente – Portela – Beija-Flor – União da Ilha – Imperatriz – Unidos da Tijuca

A seguir vocês poderão conferir a letra de cada um dos sambas e ouvi-los clicando ao lado do nome da escola. Após cada samba exponho uma pequena análise. A ordem dos sambas segue a do desfile:

  
G.R.E.S. UNIDOS DO VIRADOURO - Clique aqui para ouvir 

Nas veias do Brasil, é a Viradouro em um dia de graça! 

Autor(es)
Luiz Carlos da Vila - Adaptação: Gusttavo Clarão

Puxador(es)
José Paulo Ferreira Sierra (Zé Paulo)

Os negros
Trazidos lá do além-mar
Vieram para espalhar
Suas coisas transcendentais
Respeito
Ao céu, a terra e ao mar
Ao índio veio juntar
O amor, à liberdade
A força de um baobá
Tanta luz no pensar
Veio de lá
A criatividade

Em cada palma de mão, cada palmo de chão
Semente de felicidade
O fim de toda a opressão, o cantar com emoção
Raiou a liberdade
Tantos o preto velho já curou
E a mãe preta amamentou
Tem alma negra o povo
Os sonhos tirados do fogão
A magia da canção
O carnaval é fogo
O samba corre
Nas veias dessa pátria - mãe gentil
É preciso atitude
De assumir a negritude
Pra ser muito mais Brasil

ôôô,ôôôô,ôôôô Brasil 


Análise:
Apesar de toda polêmica envolvendo o samba, que na verdade é uma adaptação feita pelo presidente da escola a partir de duas letras de Luís Carlos da Vila, analisando a letra e música, nos deparamos com uma pequena obra prima. Belos versos e um ritmo que, em sua "versão original" fugia do toque marcial dos sambas atuais. O andamento mudou na gravação do CD, ficou mais acelerado, perdendo um pouco da cadência e tirando um pouco da beleza do samba, mas segundo o presidente da escola, deve ficar abaixo das 146 batidas. A curiosidade fica por saber como os jurados irão analisá-lo. Não sofreu alterações.


G.R.E.S. ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA - Clique aqui para ouvir

Agora chegou a vez vou cantar: mulher de Mangueira, mulher brasileira em primeiro lugar! 

Autor(es)
Renan Brandão, Cadu, Alemão do Cavaco, Paulinho Bandolim, Deivid Domênico e Almy

Puxador(es)
José Luiz Couto Pereira da Silva (Luizito)

Oh, divina dama!
Em cada alvorada te agradeço
 
As maravilhas do meu tempo de criança 
e o orgulho que eu sinto desse chão …
Cercado pelo verde da esperança
Vovó guiava minha imaginação
Descendo o morro entre becos e vielas
Vejo a primavera desabrochar
Um mar de rosas perfumando a passarela
Deixa a Mangueira passar

Ora yê yê… vem, menininha!
Entra na roda, quero ver você girar
Ê ê girar… baiana gira
A mãe do samba dança pro seu orixá

É tão bom ouvir as pastorinhas
Ao som de doces melodias
E as estrelas da nossa canção
Linda… na beleza tem poesia
A rainha veste a magia
Das flores em nossa estação
Brilha a porta estandarte
Revelando toda arte
Num bailar que não tem fim
Desperta, amor!
Pra ver a Neuma na Avenida
O povo aplaude dona Zica
Sagrado verde e rosa nessa história
Glória a essas divas tão guerreiras

A nossa Maria não é brincadeira
É raça, é fibra, é jequitibá!

Eu vou cantar a vida inteira
Pra sempre Mangueira, tem que respeitar!
Eu vou cantar a vida inteira
Mulher brasileira em primeiro lugar
 


Análise:
Não era o meu favorito na disputa, mas nem por isso deixo de ver qualidade no hino da verde e rosa. Antes da gravação do CD optava por ter apenas um refrão (o do meio), o que era quase obrigatório, pois caso contrário teria a mesma frase repetida quatro vezes: "eu vou contar a vida inteira". Contudo, para o CD oficial acabou por se render ao usual e apesar de não comprometer como pensava as repetições ao longo do desfile podem irritar quem irá analisar o quesito. Seus versos finais são fortes, algo comum em sambas da escola, e mexe com o coração mangueirense. As referências a sambas antigos não são gratuitas e estão adequadas ao enredo. Sofreu duas alterações sem grande impacto: “Quando me lembro dos meus tempos de criança” por “As maravilhas do meu tempo de criança” e “Sinto tanto orgulho deste chão” por “E o orgulho que eu sinto desse chão”. 


G.R.E.S. MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL - Clique aqui para ouvir

Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria se só lhe restasse um dia?

Autor(es)
Ricardo Mendonça, Tio Bira, Anderson Viana e Lúcio Naval


Puxador(es)
Bruno Ribas e Dudu Nobre

Você, o que faria
Se o mundo fosse acabar
E só lhe restasse este dia pra viver?
Ver tudo ruir, a terra tremer!
O chão se abrindo aos seus pés
A profecia vai acontecer!
Vem.. é o juízo final!
Viva.. o amanhã não vem mais!
Solte… toda alegria!
Libere a sua fantasia!

É de enlouquecer amor..
É contagem regressiva
Eu já tô louco, sou Vintem, sou Padre Miguel!
Cada segundo vou curtindo a vida!

A hora é essa.. não há mais tempo a perder
Não tem limites.. diga o que vai fazer?
Cantava, Brincava, Sorria
E no último dia, voar
Andava pelado?
Rezava pro tempo parar?

Sem restrições morrer de amor?
faria a tristeza sumir?
na batida do tambor…
roda baiana.. cai nesta folia!
de verde e branco vem com a bateria!

Invade… se joga.. na felicidade
fazendo a vontade do seu coração
hoje é o dia.. vem se "acabar"
deixa a Mocidade te levar! 


Análise: 
Esse é um caso no qual as mudanças podem melhorar um samba. Nem de perto é uma transformação da água para o vinho. Continuo convicto de que fim do mundo é um bom enredo para Paulo Barros desfilar sua teatralidade quase anti-carnavalesca, mas definitivamente não rende um bom samba, porém conseguiu melhorar sua segunda parte que era terrível e assim, deixar Grande Rio e Ilha brigarem pelo título de pior do ano. A letra da verde e branco de Padre Miguel, que tenta se reerguer, continua sendo muito chata e sem refrãos que a segurem. As alterações foram as seguintes: “De novo voltar ser criança?” por “Cantava, brincava, sorria”, “de bem com os amigos... brincar?” por “No último dia, voar” e o horroroso “iria pro shopping ou malhar?” por “Rezava pro tempo parar”.


G.R.E.S. VILA ISABEL - Clique aqui para ouvir

O maestro brasileiro está na terra de Noel, a partitura é azul e branco, da nossa Vila Isabel 

Autor(es)
Carlinhos Petisco, Serginho 20, Machadinho, Paulinho Valença e Henrique Hoffman, Victor Alves, Popeye 

Puxador(es)
Gilson da Conceição (Gilsinho)

O envolvimento suave da batuta
Com a poesia do povo de Noel
Em sintonia o maestro
E seus movimentos
E o samba de Vila Isabel
Tá na sua regência
A doce magia e a inspiração
Pra gente tocar feliz
O clássico na mais pura raiz
Mais cordas, metais
A valorizar as notas musicais
Traz o sopro de paz
Eu quero curtir O Guarani
Na arte retratos da vida
O amor de Ceci e Peri
Viver é amar e sonhar
Ao som do "Menino Brasil"
O "Canto do Uirapuru"
Villa Lobos a emocionar

Lá vem o trem, o trem caipira
Cruzando a floresta trazendo emoções 
Lá vai a embarcação por aguas sombrias
E o puro encanto das Quatro Estações 


Seguem no compasso a swingueira,
Orquestra brasileira, o balé
Bailam passistas, porta bandeira,
E a bailarina na ponta do pé
Solto então a voz na canção
Que emociona a todos nós

Dignidade de volta pro ninho
Isaac e Martinho dão o tom

No ar a mais bela sinfonia
É de arrepiar
Comunidade unida a cantar
Renasce num sonho lindo,
A Vila de novo sorrindo
E a música vem brindar 


Análise:
Uma bela letra, acima da média dos sambas desse ano. Foi o que sofreu as maiores alterações (na verdade inclusões) desde que foi escolhido. Foram acrescentados 4 versos: "Lá vem o trem, o trem caipira/ cruzando a floresta trazendo emoções /Lá vai a embarcação por aguas sombrias / E o puro encanto das Quatro Estações". 


G.R.E.S. ACADÊMICOS DO SALGUEIRO - Clique aqui para ouvir

Do fundo do quintal, sabores e saberes na Sapucaí 

Autor(es)
Xande de Pilares, Jassa, Betinho de Pilares, Miudinho, Luiz Pião e W Correa

Puxador(es)
Serginho do Porto e Leonardo Bessa

Tem amor nesse tempero... Salgueiro
Esse "trem é bom demais"
Vem dos tempos dos meus ancestrais
Foi o índio que ensinou
Com sua sabedoria
O jeito de aproveitar, tudo que a terra dá, no dia-a-dia
É de dar água na boca, se lambuzar
Visitar o paraíso.... e sonhar

O danado desse cheiro sô... ô sinhá
Atiçou meu paladar... ô sinhá
Já bebi uma "purinha" vim sambar na Academia
E não quero mais parar... 


O ouro desperta ambição
Da fome nasce a criatividade
O branco, o negro e seus costumes
Trazendo muito mais variedade
Um elo em comunhão
E a culinária virou arte e tradição

É no tacho... na panela... mexe com a colher de pau
Saberes e sabores lá do fundo do quintal

Peço a Nossa Senhora pra não deixar faltar
É divina... que delícia... pronta pra saborear

Prepara a mesa bota a fé no coração
Numa só voz vai meu samba em louvação
É o meu Salgueiro com gosto de quero mais
Oh Minas Gerais!


Análise:
Um samba muito sem graça, sem a cara de Salgueiro. E a coisa fica pior, pois Quinho não o puxará esse ano. Mesmo dando sinais de 'cansaço' nos últimos anos, ele ainda mantinha a identidade da escola. A letra é muito simplista. Possui apenas 4 versos que não citam a culinária e mesmo assim não se encaixam com os demais. Não tem jeito de que vai 'acontecer' na avenida. A única alteração foi, acertadamente, retirar um terceiro “sinhá” do refrão do meio. 


G.R.E.S. ACADÊMICOS DO GRANDE RIO - Clique aqui para ouvir

A Grande Rio é do baralho! 

Autor(es)
Rafael Santos, Lucas Donato, Gabriel Sorriso, Leandro Canavarro e Rodrigo Moreira

Puxador(es)
Emerson Dias

O jogo começou
Sou eu que dou as cartas na avenida
E nessa disputa de poder
Eu não quero saber, vou jogar pra vencer
Sou "rei", venha ser a minha "dama"
No castelo de quem ama
Sou teu "servo" minha linda flor

A surpresa está na manga
Meu trunfo de maior valor

Pra saber o meu destino... fui buscar

A resposta no tarô e encontrei o amor
A chave para abrir o meu caminho
Num raiar de um novo dia a cigana revelou

Estrelas me guiam a luz do luar
Além dos mistérios eu vou viajar
A ''água da "terra" eu vejo brotar
O "fogo" ardendo envolto no "ar"
O meu amanhã como posso saber?
Chegou minha hora eu não posso perder

Num lance incerto, de um jeito esperto
A última carta vai surpreender
Canta Caxias o meu coringa é você

Eu vou na ginga, jeito malandreado
Vem cá menina começou o carteado
Se você veio ver, então vamos jogar
Chegou Grande Rio... pode apostar! 


Análise: 
A Grande Rio nunca teve bons sambas, com exceção para o ano de 1995, e este ano ela não foge a regra. A letra é ruim, cheia de clichês, os quais se pelo menos fossem bons ajudaria bastante. Os dois refrãos são fracos, especialmente o do meio. Melhorou um pouco na gravação do CD, mas continua disputando o título de pior do ano. Sofreu apenas uma alteração que foi a inversão da frase no verso: “De um jeito esperto, num lance incerto” para “Num lance incerto, de um jeito esperto”. 


G.R.E.S. SÃO CLEMENTE - Clique aqui para ouvir

A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Pereira, da Tocandira e da Onça Pé de Boi! 

Autor(es)
Leozinho Nunes, W.Machado, Hugo Bruno, Diego Estrela, Ronni Costae Victor Alves

Puxador(es)
Igor da Silva Moreira (Igor Sorriso)

Chega mais…
Mas vem sem medo, hoje é Carnaval
Artista brasileiro genial
E nem Matinta Perera hoje, vai lhe calar
Vem bicho brabo e onça sambar
Clementiano é fiel não abandona
Vem pra folia Fernando Pamplona
De Rio Branco à Rio Branco aprendeu
Se encantou com esta festa popular
E quando foi julgador o desfile atrasou
Seu coração salgueirou

Zambi é Zumbi, Chica da Silva mandou…ôôôô
Exaltando o negro pro mundo inteiro cantar
Pega no ganzê, pega no ganzá

Idealista, grande vencedor
Fez o desfile ganhar outra dimensão
Choveram críticas, ao professor
Junto aos confetes e alegria do povão
Hoje, sua herança desfila aqui
Lindo girassol começa a se abrir
É o mestre
Que segue o astro rei lá no infinito
O céu ficou ainda mais bonito
Todos querem aplaudir

Vem que a festa é da gente
Meu orgulho São Clemente
Ao gênio maior da Avenida
Canta Zona Sul, feliz da vida


Análise: 
Não é um samba bom, mas não compromete. Possui uma primeira parte interessante e bom refrão do meio. O final da segunda parte é fraco e o outro refrão não tem criatividade. Cumpre a tarefa de levar a escola. Não sofreu alterações. 


G.R.E.S. PORTELA - Clique aqui para ouvir 

Imaginário – 450 Janeiros de Uma Cidade Surrea 

Autor(es)
Noca da Portela, Celso Lopes, Charlles André, Vinicius Ferreira e Xandy Azevedo

Puxador(es)
Wantuir, Richahs, Rogerinho e Cremilson

Oh meu Rio
A águia vem te abraçar e festejar
"Feliz cidade" sem igual
Paraíso divinal

E eu "daqui" feito "Dali"
Em traços te retrato surreal

A natureza lhe foi generosa
Na Guanabara "formosa mulher"
Despertou cobiça, beleza sem fim
"Delícias" de um "nobre jardim"

Eu vi o "Menino do Rio" versar
Um lindo poema
Para impressionar a "Princesinha do Mar"
Sonhando com a "Garota de Ipanema"

Vem amor, a Lapa dá o "tom" pra boemia
Vem amor, a nave da emoção nos contagia
Lá vem o trem chegando com o povo do samba
Lá vai viola, o batuque só tem gente bamba
Tão bela! orgulhosamente a Portela
Vem cantar em seu louvor ô ô ô ô
"Central" do meu brasil inteiro
Morada do Redentor

Sou carioca, sou de Madureira
A Tabajara levanta poeira
Pra essa festa maneira meu bem me chamou
Lá vem Portela malandro, o samba chegou


Análise: 
Sambas de Noca dificilmente são ruins. Pode não ser brilhante, mas está no grupo dos melhores deste ano. O refrão inicial é muito bom e forte, gruda na cabeça e vai levantar poeira na Sapucaí. Não sofreu alterações. 


G.R.E.S. BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS - Clique aqui para ouvir 

Um Griô Conta a História: Um Olhar Sobre a África e o Despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos Sobre a Trilha de Nossa Felicidade 

Autor(es)
J.Velloso, Samir Trindade, JR Beija-Flor, Marquinhos Beija-Flor, Gilberto Oliveira, Elson Ramires, Dílson Marimba e Sílva

Puxador(es)
Luiz Antônio Feliciano Marconde (Neguinho da Beija-Flor)

Vem na batida do tambor
Voltar na memória de um griô
Fala cansada, mãos calejadas
Ouça o menino Beija Flor…
Ceiba, árvore da vida
Raízes na verde imensidão
Na crença de tribos antigas
Força e povoada nesse chão
O invasor singrou o mar
Partiu em busca de riquezas
E encontrou nesse lugar
Novas Índias, outras realezas
Destino trocado, tratado se faz
Marejam os olhos dos ancestrais

Negro canta, negro clama
Liberdade!
Sinfonia das marés
Saudade!
Um africano rei que não perdeu a fé
Era meu irmão, filho da Guiné!

Formosa, divina ilha
Testemunha dos grilhões
Eu vi a escravidão erguer nações
Mas a negritude se congraça
A chama da igualdade não se apaga
Olha a morena na roda e vem sambar
Na ginga do balélé, cores no ar
Dessa mistura faço carnaval…
Canta Guiné Equatorial!
Criança! Levanta a cabeça e vá embora!
No mar que trouxe a dor,
Riqueza aflora
Tens uma família agora!
Quem beija essa flor não chora.

Sou negro na raça, no sangue
E na cor.
Um guerreiro Beija Flor
Oh minha deusa soberana!
Resgata sua alma africana. 


Análise:  
Normalmente sou reticente com sambas da Beija-Flor, apesar de ricos são pesados e parecem saídos de uma forma única independente do enredo. Mas esse ano, sem perder a riqueza da letra, conseguiu dar uma musicalidade mais fluente apesar de ser um samba longo. Possui bom refrão do meio e a mudança de ritmo aplicada nos versos finais (antes do refrão de abertura), que está sendo usado com certa frequencia nos últimos anos, embeleza a letra, mas pode dificultar o canto da torcida. Sofreu algumas alterações: “Dessa mistura vem meu axé” por (...) faço carnaval” e “Canta Brasil! Dança Guiné!” (muito criticado) por (igualmente criticado) “Canta Guiné Equatorial”. 


G.R.E.S. UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR - Clique aqui para ouvir 

Beleza Pura? 

Autor(es)
Djalma Falcão, Carlos Caetano, Gugu das Candongas, Beto Mascarenhas, Roger Linhares e Marco Moreno

Puxador(es)
Acraílson Forde (Ito Melodia)

Floresceu… desabrochou uma explosão de cor
Bem-vinda oh mão natureza
Transformando, esbanjando formosura, é beleza pura
Vem no tempo vai no vento, quem vai julgar
O povo sempre deu um jeito de se enfeitar
Cada um é tão bonito quanto possa imaginar
Sou sambista, minha arte é universal
O que importa é estar na moda, no desfile principal
Me visto de ilusão, transbordo de emoção sou
Chique estou no Carnaval

Lá vem ela toda prosa, gostosa fiu, fiu
A beleza tá no seu interior, nos olhos de quem vê
No verdadeiro amor

Diga espelho meu no swing dessas feras
Tem mais bela do que eu? Ele respondeu:
No reino encantado, quem nasce pra brilhar, jamais se apagará
Mamãe tô forte e tenho sorte
Meu charme é passaporte para ser superstar
Eu tô na tela da tv sou a cara da riqueza
Tiro foto de mim mesmo eu só quero aparecer
Vim sem nada pra vida, nada vou poder levar
O coração me diz, que a eterna juventude é ser feliz

A Ilha chegou, a festa começou
O show é da comunidade
Sem desmerecer ninguém, sou a mais linda
Encantando a cidade 


Análise: 
Se existe um samba que ameaça a Grande Rio é o da Ilha do Governador. Tanto a primeira como a segunda parte do samba são ruins assim como os refrãos. Muito fraco. As alterações não tiveram grande efeito: “O que importa é estar na moda, na avenida principal” pelo óbvio “(...) no desfile principal” e “O meu destino diz, que eu serei feliz”, referência ao samba “O Amanhã” por “O coração me diz, que a eterna juventude é ser feliz”. 


G.R.E.S. IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE - Clique aqui para ouvir 

Axé Nkenda – Um ritual de liberdade – E que voz da liberdade seja sempre a nossa voz 

Autor(es)
Marquinho Lessa, Zé Katimba, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Audir Senna

Puxador(es)
Nêgo

Foi um grito que ecoou, "Axé-nkenda"!
A luz dentro de você… acenda!
Nada é maior que o amor, entenda
A voz do vento vem pra nos contar que na mãe África nasceu a vida
Pura magia, "baobá" abençoado… tanta riqueza no triângulo sagrado…
Mistérios! Grandeza! O homem em comunhão com a natureza!
Tristeza e dor, na violência pelas mãos do invasor
E o mar levou.. Nossa cultura um novo mundo encontrou

Põe pimenta pra arder, arder, arder!
Sente o gosto do dendê, o iaiá, oyá
Tem acarajé no canjerê, tem caruru e vatapá (é divino o paladar)
Capoeira vai ferver! Vem ver! Vem ver!
Abre a roda que ioiô quer dançar.. Sambar..
Traz maracatu, maculelê.. É festa até o sol raiar

Liberdade! Sagrada busca por justiça e igualdade
E com arte eu semeio a verdade
O despertar para um novo amanhecer
Faço brotar a força da esperança
Deixo de herança um novo jeito de viver!
Vamos louvar o canto da massa
Unindo as raças pelo respeito
Vamos à luta pelos direitos
Uma "banana" para o preconceito

"Mandela"! "Mandela"!
Num ritual de liberdade
Lá vem a Imperatriz! Eu vou com ela
Eu sou "Madiba"! Sou a voz da igualdade 


Análise:
Um samba muito interessante. Em certos momentos parece que estamos ouvindo uma obra da década de 70. Os autores optaram por não ter um refrão do meio, o que não comprometeu, pois os versos sustentam brilhantemente essa ausência. O único ponto a ser questionado são os 4 versos finais (antes do refrão) que acabam por destoar, em qualidade e musicalidade dos demais. Não sofreu alterações. 


G.R.E.S. UNIDOS DA TIJUCA - Clique aqui para ouvir 

Um conto marcado no tempo - O olhar suíço de Clóvis Bornay 

Autor(es)
Gustavinho Oliveira, Caio Alves, Rafael Tinguinha, Cosminho, Josemar Manfredini, Fadico, Zé Luiz e Carlinhos

Puxador(es)
Tinga

Carnaval
Eterna é nossa união
Que bom voltar
Pra reviver esta emoção
Quem dera com o meu pai reencontrar
Tantas histórias encantadas
Se fez o sonho e não quero acordar
Seres alados, castelos erguidos
Sopro gigante, herói destemido
Nos montes de neve um anjo a proteger
Melhor amigo que o homem pode ter

Gira mundo no tempo, templo da invenção
Tudo cabe no bolso ou na palma da mão
''O som da caixa'', jóia de valor
Quem procura acha, a senha do amor

Novo tempo
Relativa idade do conhecimento
Brilhante pensamento
Explica a vida em todas as direções
Sábia mente, a hora voa com o viajante
Brilha o sol num instante
Aquecendo tantas gerações
Hoje eu vejo que o ontem
É o aprendizado para o amanhã
Suíça, em tua história a inspiração
Com teus sabores na avenida
Quebrando o gelo, lá vem o pavão

Deixa o dia clarear Tijuca
Tá na hora a gente vai à luta
O relógio disparou chegou gente bamba
É do Borel o prêmio nobel do samba 


Análise:
Olha mais um samba na briga pela parte de baixo da tabela. Resultado da fusão de dois sambas concorrentes. Seu refrão inicial é fraco, porém não tão ruim quanto o do meio que por sua vez não supera a breguice de "hoje eu vejo que o ontem é o aprendizado para o amanhã". Alterou apenas algumas palavras no seu refrão inicial, infelizmente.

Fonte: